Vento.

Ela ficava lá da janela gritando aos quatro ventos tudo que podia sobre aquelas quatro ou cinco horas de amor.

Agora já fazem cinco meses que você se foi e ela ainda grita, grita o tanto que te ama, o tanto que é louca para ser sua na cama. Ela grita tudo que não disse, tudo que não fez. Grita tudo arrependido, tudo com saudade. Tudo com verdade. Tudo sorrindo. Sempre sorrindo. E indo.

Bons Sentidos.

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[Confesso que Vivi - Pablo Neruda]

“Estas memórias ou lembranças são intermitentes e, por momentos, me escapam porque a vida é exatamente assim. A intermitência do sonho nos permite suportar os dias de trabalho.

Muitas de minhas lembranças se toldaram ao evocá-las, viraram pó como um cristal irremediavelmente ferido.

As memórias do memorialista não são as memórias do poeta. Aquele que viveu talvez menos, porém fotografou muito mais e nos diverte com a perfeição dos detalhes; este nos entrega uma galeria de fantasmas sacudidos pelo fogo e a sombra de sua época.

Talvez não tenha vivido em mim mesmo, talvez tenha vivido a vida dos outros.

Do que deixei escrito nessas páginas se desprenderão sempre – como nos arvoredos de outono e como no tempo das vinhas – as folhas amarelas que vão morrer e suas uvas que reviverão no vinho sagrado.

Minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas do poeta.”

Bons Sentidos.

Viagem Errada I.

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Boas Coisas.

Desafogo.

Ora, homem! Desabafo. Declaro agora que nunca deixei de te amar. Te esqueci umas seis ou sete vezes, bem verdade, mas as noites de chuva sempre me rasgam o peito. Deve ser mesmo o tal cheiro de terra molhada. Homem! declaro agora todo o meu amor, toda a minha vontade e toda a minha verdade. Declaro tudo que nunca pude entre um convite frustrado e outro. Que tudo não seja nada, que eu prefira mesmo esse platônico que me faz sorrir de vinte em vinte minutos, rigorosamente. Realidade nunca foi seu forte, chão nunca foi o meu. Futuro é acordar, entende? compartilhar a cama desarrumada. Futuro é o que você quiser. Eu só prometo que nunca mais vou fugir, a não ser de mim mesma.

Bons Sentidos.

14:55

Me peguei mais uma vez com aquela vontade de arrumar as malas,  os amigos – os mesmos companheiros de guerra dos últimos seis ou sete meses –  e simplesmente ir. Todos esses amores adormecidos fervem meu corpo em inícios de semana. São pulos bastardos, desgraçados, combustíveis, mas prometi ao poeta que nunca mais diria não às coincidências do vento e não posso mais deixar reprimidas minhas dores, seria um desacato à tão temida liberdade. Então eu vou – vou para onde meu deus soprar, para onde minhas dores de cabeça não sejam causadas por palavras, para onde minhas ressacas de domingo não sejam ilegais – juro que vou.

Bons Sentidos.

Espírito.

Sexto sentido, sexto dia. Sempre dias de tentar algo. Espírito, coração e corpo já são pessoas diferentes que correm por aí com vontades completamente insanas, completamente lúcidas. Toda essa coisa de amar por alguns minutos brota a vontade de amar sempre mais, qualitativamente, como aquelas cartas. Já não sou a mesma, já não me importo com todos aqueles compassos que dita o externo. Inteira, interna. Só peço que não me pergunte nada, nada do que fiz, nada do que quero fazer. Mostre possibilidades. De viver novamente ou de deixar o nada simplesmente ir. E não confie. Nunca confie em mim.

Bons Sentidos.

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d-_-b –> The Who – Who are you