O computador não funciona, o sono não veio, as pernas doem e eu ainda tenho outras três milhões de coisinhas na cabeça, juntas a cinco milhões de pessoas dizendo que “você é superior a isso”. Acontece, pessoas, que ficar com a coluna reta cansa, e hoje me reservei o direito de não ser superior a porra nenhuma.
Como assim? então eu trabalho o dia inteiro, malho igual uma condenada, me esforço diariamente para melhorar a alimentação, administro uma casa, uma faculdade, leio cinco livros por mês, medito, procuro ser o mais carinhosa e gentil possível com as pessoas que amo, companheira, procuro entender e respeitar tudo nessa vida, ser o mais correta possível com o resto do mundo e ainda tenho que me preocupar em ser superior a tudo? pára. Pequenas coisas me trazem angústias enormes, SIM, e eu também tenho medo de viver. Eu também canso de aguentar calada intrigas injustas, vejo o fundo do poço várias vezes ao dia e tenho uma vontade enorme de chorar na frente das pessoas – mas como boa seguidora da paz, sempre poupei o mundo de me ver sem um sorriso no rosto, de mau humor, com vontade de mandar qualquer folgado que fala uma besteirinha de mau gosto ir pro inferno. A verdade de hoje, meus senhores, é que eu continuo amando, respeitando, e sou muito feliz, graças a muito esforço e paciência, mas acordei sem vontade de dar bom dia, sem vontade de conversar. Quero aquela porta trancada, meu sofá, vários romances toscos de hollywood com um balde de pipoca, dois litros de coca-cola e quatro receitas de brigadeiro quentinho. Hoje eu quero que todos vocês sumam. Mas só hoje. Amanhã volto a amar todo mundo, lá de cima, forte, guerreira, e superior a tudo (a tudo, não a todos – que não entendam mal – não sou superior a ninguém, só superior a muita coisa). Porque se tem uma coisa que a vida me deu, foi coragem.