Há quem diga que entre o céu e a terra só existe o meio do caminho. Eu nunca entendi o “só”. Inícios podem carregar um pouco de insegurança, e finais, vários graus de medo e falta de vontade de continuar. É o “meio do caminho” que ajuda a desenvolver sentimentos necessários para fazer o todo valer a pena, e nos permite entender o que é realmente verdadeiro – não que os meios sejam livres de medos, mas, vive-los com a certeza de que estamos em busca de algo maior é perfeitamente saudável, para não dizer necessário.
É o que tenho a dizer sobre 2012: aceitem os riscos de viver. O homem não é um ser constante, muito menos (graças aos deuses) igual, mas precisa conviver, mesmo sem querer. Cada um de nós carrega os próprios valores, e em algumas situações, a diferença dessas raízes pode nos fazer parecer pouco maduros – é difícil acreditar em algumas verdades pura e simplesmente como elas são. Quando isso acontece, procuramos outras explicações, pouco objetivas e muitas vezes equivocadas, mas que nos libertam para encerrar ciclos e preparar a cabeça para novas experiências. Isso é natural, e válido, mas só se lembrarmos que alguns sentimentos negativos, como se prender e pensar demais em mágoas, só fazem mal ao próprio corpo.
Então, com muita ou pouca verdade inventada, desejo, entre um risco e outro, que exista muita paz, um pouquinho de dor, e nenhum rancor. Que este ano seja meio perigoso, que as pessoas tentem mais, e que sejam mais livres – o que é verdadeiro fica, mesmo precisando de algum tempo para respirar e se recompor.
Eu sei que é difícil colocar muitas das idéias bonitas de “como viver” em prática, mas se queremos e realmente temos convicção de algo que não dependa apenas dos próprios passos, vale levantar a cabeça e passar por alguma turbulência, sem largar a determinação de ver acontecer. O que a vida quer da gente, como diria o poeta, é coragem, meus senhores – e coragem, assim como liberdade, pressupõe responsabilidade e muito peito. Sem pressa, mas sem perder tempo, que os dias sejam lindos não só por uma graça do destino, mas por resultado do próprio esforço em busca de autoconhecimento e do bem.
Que 2012 seja de tudo, e mesmo assim, seja simples
e cheio de sorrisos.
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Publicado em 9 de janeiro de 2012 na coluna “Segunda-feira e outras coisas” @ Mundo Ela
