Mais uma vez, apaguei e escrevi isso aqui milhões de vezes. Sempre acho que minhas palavras estão dramáticas demais, mas, não tem jeito – os finais mais felizes passam por muito trabalho (tirando que fico meio melancólica entre meu aniversário e o natal, é meu período de retiro, de entender tudo que aconteceu no ano). Invejo os que vivem sem se preocupar demais, cuidando só do próprio nariz (embora também tenham dores enormes e muitas vezes deixam de viver ótimos momentos para se poupar de trabalhos futuros). Eu (apesar de muitos acharem que não, e apesar de não ter sido assim a vida inteira) tenho olhado cada vez mais para o lado, antes de olhar para frente. Isso só me traz uma certeza: ninguém é responsável pela felicidade ou desgraça de ninguém – colocar a culpa no outro é estratégico (já dizia algum desenho animado da minha infância), e gera muita pressão, mesmo quando a “culpa” é positiva e achamos que não.
Quero dizer que é muito mais fácil atribuir o que acontece a fatores externos. Acredito que seja meio natural do corpo fugir de algumas responsabilidades da alma, mas talvez a banda não toque bem assim. Tenho lido muito sobre liberdade e espiritualidade (eu sei, estou afetada, super zen, mas isso é bom), e a ligação dos dois está nessa máxima de que somos responsáveis por tudo que acontece. Liberdade significa responsabilidade, sim, e como todo processo que exige muito das emoções, dói de ser conquistada. Mas crescer também dói, e até ser feliz dói um pouco se a gente pensa demais. O que a maioria ainda não aprendeu é a condicionar dores à motivos de (mais) felicidade – a entender, crescer, e se preparar para novos ciclos. Façam poesia com o processo da chuva, é mais ou menos assim. Acho que isso é o que mais difere ocidente de oriente, toda vez que converso com um indiano ou um chinês, entendo o quanto são serenos em relação aos acontecimentos, e o quanto conseguem filtrar tudo ao redor para um único fim: o bem (generalizando, claro). Para ser sincera, chega a irritar o nível de paz que os caras buscam, mas acredito que seja o caminho que nos permite mais verdade.
Bom, cada um acredita em uma coisa, e o caminho acaba não importando tanto quando a busca é honesta. No meio das turbulências, entre muito trabalho e várias conquistas, só desejo que a mente não nos impeça de tentar, e que o coração não nos impeça de continuar vivendo. Ninguém disse que seria fácil, só que valeria a pena.
(Esses são meus votos de vida, e de Feliz Natal).
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Publicado em 19 de dezembro de 2011 na coluna “Segunda-feira e outras coisas” @ Mundo Ela
